SÍTIO CORRENTE

Durante implantação do Projeto FECOP Apicultura no município de Ipueiras Estado do Ceará tive a oportunidade do coordenar o Projeto e ministrar aulas específicas de Apicultura. Foi durante uma aula prática na localidade de Sítio Corrente em abril de 2006 que percebi um fenômeno que já me preocupava a muito tempo. Este fenômeno denominado Êxodo Rural é uma prática sem controle e que está aos pouco trazendo as populações rurais a viverem nas cidades. Muitas vezes pensamos que as populações estão buscando melhor qualidade de vida. Talvez até seja, mais viver em um local como o Sítio Corrente é sem duvida um privilégio de poucos. Até aquela data o patriarca da família ainda resistia em deixar o local. Muitas perguntas surgiram naqueles dias que visitei aquele Sítio: Porque o proprietário, cidadão de muitas posses se recusa a deixar-lo? Porque mais de quarenta famílias que residiam ali foram embora levando inclusive suas histórias deixando apenas ruínas? As grandes demandas das populações rurais na virada do século eram energia, estrada, água e educação e saúde, e no Sítio praticamente existia tudo isso e porque mesmo assim todos os moradores foram embora ficando apenas o proprietário, um funcionário e a esposa?
Na época fiquei maravilhado com as construções inseridas no meio da mata onde segundo nosso guia na via principal do logradouro existia pavimentação em Pedra Tosca e carros trafegavam constantemente. Energia elétrica ainda funcionando, aguá na torneira e dentro da escola enormes arvores levantavam o telhado como se conhecimento quisesse sair de lá.
A sede do sítio construída de pedra chamava a atenção pela arquitetura, mas a floresta, esta sim, parece que queria tomar posse do lugar.
Os humanos pensam que sempre terão tempo para realizar seus feitos e desejos, mais isso meus irmãos terráqueos, não é verdade. Dias depois ao voltar ao sítio acompanhando os estudantes do Logradouro de Alazans para mais uma aula no Sítio Corrente no Apiário ali existente e decidido a conversar com o proprietário sobre minhas interrogações, para minha surpresa, a casa de engenho e e de farinha tinham desmoronado e o proprietário transferido de sua residência para a cidade com problemas de saúde. Ainda hoje tenho as perguntas que queria ter feito aquele homem.
O que aconteceu com o Sítio Corrente vem aos pouco acontecendo em outros logradouros da região. O Proprietário do Sítio Corrente em Ipueiras viveu cercado de pessoas, uma família abastada e rica, filha prefeita, muitas terras e depois a solidão, o abandono. Não que a família tenha abandonado sua pessoa, mais sim, o Sítio Corrente!
O que faz um local tão próspero ser transformado em lugar sombrio, assustador e vazio. Um lugar de natureza linda, uma vista extraordinariamente bela, um sonho de consumo de qualquer ambientalista, uma história para contar.
História como está do Sítio Corrente existem em muitos lugares e não é por falta de qualidade de vida. Acredito que seja pelo consumo. Consumo de bens e também pela falta do título de propriedade.
Veja alguns exemplos em Ipu: Sítio Baixa da Égua (Ximenes e Paiva), Sítio Periquito (Paiva), Sítio Sucavão (Magalhães), Sítio Oiteiro (Bonifácio), Sitio Corrente, Sítio Seis Paus, Sítio Centro de Cima (Bonifácio), Sítio Cinta (Bonifácio). Este último está em fase acelerada de esvaziamento.....









